Estimulação elétrica da medula espinhal é nova esperança contra o Mal de Parkinson
Resultados de testes com camundongos e ratos sugerem que uma nova forma de tratamento para o Mal de Parkinson, baseada na estimulação elétrica da medula espinhal, poderá trazer importantes benefícios a portadores da doença. O método, potencialmente o primeiro a estimular a medula espinhal em vez do cérebro, oferece uma abordagem menos invasiva em relação aos tratamentos já existentes.
Um promissor conjunto de dados pré-clínicos do estudo, feito por pesquisadores do Centro de Neuroengenharia da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, será publicado em artigo da edição do dia 20 de março da revista Science.
Para obter esses dados, os pesquisadores conectaram uma pequena neuroprótese à medula espinhal de cobaias com características biológicas e sintomas motores similares aos de alguém que sofre do mal de Parkinson. Quando o aparelho foi ligado, de forma que pulsos elétricos de alta frequência pudessem ser transmitidos à superfície posterior da medula espinhal, os animais que se encontravam imobilizados, devido à rigidez e tremores causados pela síndrome de Parkinson induzida, mostraram-se capazes de se locomover e realizar outros movimentos normalmente, como se fossem ratos saudáveis.
“Observamos um aumento significativo e imediato na locomoção e na capacidade de produzir movimentos voluntários e espontâneos nos animais cuja medula espinhal foi estimulada eletricamente”, declara o coordenador da pesquisa, Miguel Nicolelis, diretor do Centro de Neuroengenharia da Universidade de Duke. “Além disso, este é um método fácil de usar, bem menos invasivo do que as outras alternativas de tratamento cirúrgico disponíveis atualmente, como a técnica de estimulação elétrica profunda do cérebro. Se pudermos mostrar que essa nova neuroprótese é segura a longo prazo em primatas, e depois em seres humanos, praticamente todos os pacientes que sofrem do mal de Parkinson poderão se beneficiar do tratamento no futuro próximo”, afirma Nicolelis.
Pesquisas no Brasil
A equipe da Universidade de Duke já está trabalhando em colaboração com pesquisadores do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), sediado na capital potiguar, para testar o novo procedimento em primatas com o mal de Parkinson.
O IINN-ELS, que é dirigido por Nicolelis, foi recentemente contemplado com recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia para assumir a coordenação do Instituto Nacional de Interfaces Cérebro Máquina (INCeMaq), uma rede de institutos espalhados pelo Brasil voltados à pesquisa e ao desenvolvimento de novas terapias, baseadas em neuropróteses, para o tratamento de doenças neurológicas como o mal de Parkinson e a quadriplegia.
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